quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Venha logo que eu tenho pressa



Veio a fome
A sede
O frio
Veio a falta
A saudade
O silêncio do psiu
Que
Silencia toda a falta
Essa mesma falta
Que veio dilacerada
E ainda nos mata
Nos matará antes da morte morrida
E da mesma morte só que matada


Daí
Veio a morte
A seca
A maldade
O conjunto da piedade
Que
Os une lá em cima
E que nos afasta aqui em baixo
Veio o cheiro
O toque, o sentir, o bálsamo
Veio a carne mais forte
Do que eu, humano
Que errei e erro tanto


E espero acertar
No teu negro olhar
Que está chegando
Está chegando
Está chegando
Então
Que chegue logo
Pois então
Antes que acabe o ano
E
Que
Acabe a vida
Antes que outra recomece na saída



quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Das tripas, um coração



Fiz
Faço
E farei das tripas coração
Pois desejo descobrir
O que há além dessas tripas
Até chegar ao seu coração

Órgão esse tão favorável
Com teu destino tão claro
Bombeando todo sangue
Envolvendo nosso corpo
Alimentando o intestino
Quis, quero, quererei isso

E se não for da mente pela alma
E nem do olhar até o pé no chão
Que seja na agonia dessa ação
Das tripas coração
Das tripas, coração
E delas, um coração

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Uma tarde de domingo sensacional



Naquela tarde, caíram pingos tímidos do céu dominical
Um sinal de algo que parecia impossível e sobrenatural
Os amigos reunidos, todos juntos. Aleluia, glória celestial
Com tererê, brigadeiro, pipoca, refrigerante, fome animal!

Naquela tarde, ouviam-se risos vindos de forma natural
Éramos nós: quengos, putos, doutores mestres do imoral
Pessoas que amam, sonham e perpetuam sobre todo mal
Pessoas essas que nutrem o mais importante: a amizade triunfal

Porque naquela tarde, fizemos uma tarde de domingo sensacional

(Outras virão, porque já não é impossível juntá-los
E me digam, o que é impossível pra nós, meus amigos?)



terça-feira, 25 de novembro de 2014

Silêncio Constrangedor



Só ouço o barulho da lavagem das louças
Dos bocejos e das cenas da televisão
Depois de estúpidas poucas e boas
Que foram faladas por bocas sem perdão

Só ouço o som do silêncio
Um tom estranho e seco de um desamor
As palavras ficam por dentro
Com os humanos recheados de rancor

Só ouço o sabor de mágoas insolentes
Que magoam a casa aos quatro cantos
Comportamentos levianos e descrentes
Só ouço a buzina acidental e seus danos

Parem, parem, parem
Ah, que se danem
Ah, que se matem
Irei ouvir música
O som é melhor
É menos constrangedor!

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Modo Indicativo



Tua pessoa do singular não se conjuga com a minha do plural
Tua primeira pessoa prima no prisma em ilusão referencial
A singularidade pluraliza esse sentimento universal
De classificação lógica e mais do que gramatical

Eu
Tu
Ele
Nós
Vós
Eles
E o resto do mundo

Pediremos para te conjugar mais perto
Descobrir e descobriremos o exercício certo
Um carimbo de nota dez será nosso mérito
Mesmo que o português esteja tão incrédulo

Tua luz impessoal é a vida, é o som e é o VERBO!

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Olhos gulosos



Teus olhos me engoliram
Num disparate magnífico
Foi tão solar tudo aquilo
Teus olhos me iludiram
E já era de se esperar

Teus olhos me engoliram
Provaram do bombom sortido
Saboreado, gostei disso
Teus olhos me saciam
E já estou por ti nesse gostar

Teus olhos me engoliram
Devoraram meu corpo perdido
Não estou nada arrependido
Teus olhos me dominam
Conflito, não sei aonde chegar

Teus olhos me engoliram
Teus olhos possuem um fascínio
Teus olhos se foram pelo caminho
Mas antes de tudo, sobrou o vestígio
Que teus olhos me engoliram
Como outros também engolirão

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Tez



Sua pele fala comigo
E me chama pra dançar
Seus poros abertos
Junto aos meus pólos internos
Balançam pelo ar

Oh sua pele, nobre lebre
Personifiquei-a
A fim de fazer pessoa
Prosa poética e dermatológica
Aproxime-se, vamos continuar

Um passo pra cá
E o outro pra lá
Sua pele apela apelando
Um sutil amor vai se formando
Seu rosto é um céu particular