segunda-feira, 24 de março de 2014

O Apse



Apocalipse imediato
Tão aguardado
Ele, um dia, virá
Entre todos
Porém, nós precocemente adiantamos
Cada um tem o seu “fim de mundo”
Não é água, não é fogo
Não é pedra, não é vento
E nem tempestade
Tem a briga generalizada
Tem o tiro dado
Tem a ofensa intercalada
Tem o salto alto
Nada é mais dramático do que sistemático
Tudo é menos prático do que terrível
O futuro é assim mesmo, super arrasado
Assombroso, feroz e imediato
Maligno, forte e não tem hora
Não tem lugar
É só a brasa esquentar
O fogo arder e o show começar
Enfim, sós... O céu e o inferno
O resto do incerto
É o nosso momento incorreto
!!!

sexta-feira, 14 de março de 2014

Deca dência



Tudo do que é preciso
Ninguém tem
Nada do que é direito
Alguém tem

Eu não tenho quase
Mas ainda não me decidi
Se é quase tudo
Ou quase nada

Quase o “por inteiro” caiu no meu conceito
E ainda falta opinião ao momento

Até demais...

quarta-feira, 5 de março de 2014

O ano não vai começar depois do carnaval



Eis mais um texto escrito por mim e pela parceira Ana do blog:
http://anaherminiapaulino.blog.uol.com.br/

Se isso acontecesse, de fato, o ano começaria com uma taxa de natalidade daquelas e com a maioria das pessoas com sintomas de ressaca, está aí outro tipo de fato que a galera adora contar, como se ter ressaca fosse um prêmio, não é, é uma das consequências de um comportamento totalmente diferente do cidadão que sabe que o ano já está em andamento e que desde o segundo dia de janeiro ou até mesmo no primeiro, trabalha e encara uma rotina cansativa disposto a ter uma vida honesta ganhando mal e ainda sendo ludibriado por um princípio de que o jeitinho dá certo e uma sociedade que adora o desbunde e a farra fanfarrona de fanfarrões.

O ano não começaria, não existiria, não seria como é e está se não fossem esses trabalhadores que não pensam em pular carnaval, porque eles têm mais o que fazer, não que não queiram ir, mas carnaval não é artigo de luxo ou entretenimento para eles, isso é para os gringos que enlouquecem quando deixam de piscar o olho ao apreciarem os pandorins das mulatas que os playboys da cidade já cansaram de assediar, jovens esses que com uma camiseta colorida na Bahia e com a regatinha brilhante no Rio, não tem tempo ruim para a folia, é pré-carnaval, pós-carnaval, “carnafacul”, “carnavida”, “carnalição”.

Pois é, temos todos os tipos de carnavais e o mais do mesmo: trios elétricos, carros alegóricos, micaretas, blocos, barulho, trânsito, ostentação do que é celebrado por uma minoria, não é o funk, ainda bem, é a inutilidade ao trabalho e a pachorra de descobrir no calendário um novo feriado... Em 2014?

Após o oba oba carnavalesco, todos  esperarão pela Copa do Mundo no mês de Junho e ao fim do evento, dirão que o ano realmente começará, na verdade esse ano não começará nunca para essa maioria, pois existe sim as pessoas que estão a trabalhar bem antes do carnaval e tudo o mais, gente que só sonha com dias de descanso para dormir e não querer saber da baderna que o país vira e vive. Estes são os que ficam indignados ao verem o Brasil parar para "remexer o esqueleto" e ficam estarrecidos quando ouvem as reclamações durante a festa, afinal os foliões já estão cansados de saber que enfrentarão filas, falta de conforto e muitas outras coisas, mas reclamam de tudo e de todos.

As pessoas já querem outro feriado para descansar desse ou para colocarem o bloco na rua, o ciclo está formado ou seria o circo? Aqui todos tem boca, mas ninguém vai a Roma, fazer o que? Dizem que a vida é um carnaval, então vamos levar nossos problemas em carros alegóricos e desfilar nossas amarguras sem pensar se um dia o ano realmente começará.


sábado, 1 de março de 2014

Viva a poesia!



Carnaval rima com natalidade
Política rima com sacanagem
Futebol rima com má arbitragem
Motel rima com trairagem
Noite rima com vadiagem
Corrupção rima com malandragem
Conflito rima com psicanálise
Secura rima com estiagem
Saúde pública rima com pilantragem
Shopping rima com vaidade
Pagodeiro rima com paternidade
Cachorro falando rima com sessão da tarde
Tempestade rima com calamidade
Ih, rima mesmo!
Depois rimo mais...

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Balada humana



Esse texto que você lerá foi escrito por mim e pela minha amiga e parceira, Ana, do blog:
http://anaherminiapaulino.blog.uol.com.br/

Um lugar como outro qualquer, um lugar com pessoas de quaisquer estilos, pessoas que dançam conforme a batida, um lugar com o ritmo tocando, um lugar em que os seres se misturam, miscigenação, um lugar em que as pessoas vivem se tocando, mas falta algo, falta a verdadeira batida, isso está do lado de fora.

Um lugar que quando se entra, é preciso esquecer a moralidade que some depois de alguns goles, um lugar em que há bebidas e elas não dançam, porém hipnotizam, adormecem, boa noite jovem, boa noite Cinderela, sejam bem-vindos ao antro.

Um antro onde as gotas de suor se contrastam com o número de beijos incontáveis, um lugar onde a roupa mais sensual é a que atrai e os veículo e emprego que o sujeito diz ter leva alguém a além, não há visão, no escuro dali tudo é possível, afinal, não é possível conversar, então qualquer meia dúzia de gritos soam verdadeiros.

Um lugar onde a noite é mágica, mas o amanhecer é pesado, um lugar onde os egos são maiores que os corações, fúteis, um lugar em que a futilidade é o apogeu, um lugar em que não há conversa, papo sério? Nem brincando.

Um lugar onde a bola da vez é a “bala” e o fruto proibido não é só de uma cor, isso abala, as estruturas de um lugar como esse precisam suportar quem entra ali, acidentes acontecem, na pista e nos cérebros vulneráveis e amorais da turma, que consegue sobreviver, acidentalmente ou não, para mais oxigenação ao invés de algum tipo de socialização, mas deixemos de papo, vamos ao lugar, bora badalar, pessoal!

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Clássico



Você pode ser 
O que quiser
Revoltado
Democrático
Diplomático
Prático
Chato
Bravo
Amado
Odiado
Celebrado
Abalado
Sabático
Válido
Vaiado
Pilhado
Mal-humorado
Alucinado
Simpático
Engraçado
Mas será
Por ser assim
Simplesmente
Um ser raro

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Verão Degenerado



Meu  suor é minha sombra
Nesse  clima tão insuportável
Espero  aquele, de vento em polpa
O ar tão sutil, nobre e amável

Minha  alma é meu pensamento
Antes  que alguém enlouqueça
Os  pingos suados desse momento
Devem  curar aquela doença

Minha  estação é seu corpo
Quente  e desprovido d’água
Por  perto, em partes e ao entorno
Pronto  para absorver toda graça